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Mostrando postagens de setembro, 2025

Vozes da Serra

Narradora: No alto da serra, as quebradeiras trabalham. O som dos cocos ecoa como batida de tambor antigo. Seu Zé vem assobiando, no ombro trazendo sua enxada. Zé: Mais um dia de trabalho, minhas companheiras… a terra guarda muitas marcas. Narradora: E as marcas não são apenas da enxada na terra. São cicatrizes profundas, guardadas na memória da serra. Joana: Marcas que jamais serão apagadas, Zé. Vai muito além dessa mata, Zé. Narradora: A mata guarda vozes, e quem escuta sente o peso da fuga e da resistência. Yara: Foram anos e anos fugindo dentro do meu próprio território… fugindo como uma presa diante da caça. Narradora: Cada passo na mata lembrava correntes, cada sombra escondia uma dor. Rosa: Nesta terra que tudo colhemos, o coco quebramos. Mas na antiguidade, foi regada com sangue do nosso povo, arrancada pelos colonos. Narradora: O chão que hoje dá sustento já foi regado com lágrimas e sangue. Guaracy: Carregamos um legado que por anos foi banhado pelo sangue dos que hoje são sa...