Vozes da Serra
Narradora: No alto da serra, as quebradeiras trabalham. O som dos cocos ecoa como batida de tambor antigo. Seu Zé vem assobiando, no ombro trazendo sua enxada.
Zé: Mais um dia de trabalho, minhas companheiras… a terra guarda muitas marcas.
Narradora: E as marcas não são apenas da enxada na terra. São cicatrizes profundas, guardadas na memória da serra.
Joana: Marcas que jamais serão apagadas, Zé. Vai muito além dessa mata, Zé.
Narradora: A mata guarda vozes, e quem escuta sente o peso da fuga e da resistência.
Yara: Foram anos e anos fugindo dentro do meu próprio território… fugindo como uma presa diante da caça.
Narradora: Cada passo na mata lembrava correntes, cada sombra escondia uma dor.
Rosa: Nesta terra que tudo colhemos, o coco quebramos. Mas na antiguidade, foi regada com sangue do nosso povo, arrancada pelos colonos.
Narradora: O chão que hoje dá sustento já foi regado com lágrimas e sangue.
Guaracy: Carregamos um legado que por anos foi banhado pelo sangue dos que hoje são sagrados.
Narradora: Sagrados, porque resistiram. Sagrados, porque ainda vivem nas vozes que ecoam na serra.
Zé: No canto da serra, a cantoria daqueles que um dia se fizeram presentes… e persistentes.
Narradora: E ainda hoje, quem silencia e escuta, ouve os cantos que o vento não deixa morrer.
Yara: Daqueles que tiveram que fugir das correntes… mas que não se arrependem e nem se perdem em meio ao repende.
Narradora: O vento sopra, leva embora o medo… mas traz de volta a coragem.
Joana: Nós, quebradeiras de sangue quente! Nas mãos, os calos que sempre se fazem presentes.
Narradora: Os calos não são só dor, são marcas de luta e resistência.
Guaracy: No meio da mata, entre os galhos, sigo com passos lentos, sentindo a brisa do vento.
Narradora: O vento sopra histórias antigas, guia os passos e embala a memória.
Zé: A Serra da Matança vou subindo… escutando as cantigas e sorrindo.
Narradora: E na subida, a serra não se cala. Ela canta junto, ela guarda tudo.
Narradora: Bom, gente… assim apresentamos.
Agradecemos a presença de todos.
Fim. Todos se voltam, agradecem, se curvam e vão embora.
Escritores: Alanda,Jenny,Zion, Luenda e Shara
3° ano B
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