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Mostrando postagens de março, 2025

O Saco de Estopa e o Pote de Ouro

 Era uma tarde abafada no pequeno povoado de Pedra Branca, aninhado nas margens do Ribeirão de Pedra, um córrego sinuoso que cortava a região como uma serpente preguiçosa. O céu estava nublado, e o ar pesado, carregado de um silêncio incomum. As casas de barro alinhadas na rua principal pareciam exalar um cheiro de madeira queimada, como se algum fogo distante estivesse sempre queimando no horizonte. No entanto, o único som que quebrava a quietude era o murmúrio constante das águas correndo pelo córrego, que passava logo à frente. Mateus, um homem simples de cerca de trinta anos, caminhava em direção à fazenda onde trabalhava como capataz. O sol já começava a se esconder, e ele precisava chegar antes que a noite o pegasse na estrada deserta. Ele estava cansado, mas sabia que o trabalho o aguardava. Porém, quando se aproximou da margem do Ribeirão de Pedra, algo chamou sua atenção. Uma mulher estava lá, encurvada, carregando um saco pesado de estopa, que parecia estar prestes a ra...

O homem da estrada do Ribeirão de Pedra

A estrada cortava a serra como uma língua de fogo, serpenteando por entre as árvores densas que pareciam engolir a luz do sol. A vegetação era espessa e um nevoeiro fino se estendia sobre o chão, criando um ambiente de mistério e inquietação. Era por ali que Ana, uma mulher de olhar melancólico e coração em frangalhos, dirigia seu carro antigo. Ela havia decidido fazer aquela viagem sem rumo certo, tentando afastar-se da cidade, das lembranças e do vazio deixado por um relacionamento que parecia irremediavelmente quebrado. Aquelas curvas perigosas e a solidão das montanhas eram tudo o que ela precisava para pensar, sem ser interrompida por palavras amargas ou lembranças dolorosas. A noite começava a cair quando, na curva mais fechada da estrada, ela viu uma figura à beira da pista. Era um homem alto, de aparência enigmática, vestido com uma capa escura que flutuava ao vento, como se fosse parte da neblina que envolvia a serra. Ele acenou com a mão, pedindo carona. Ana hesitou por um i...