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Babaçulandia ❤️

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Na planície de Babaçulândia, onde o Tocantins abraça o céu poente, ​Um elo se forma, forte e presente. ​Jovens de alma e corpo, em horizonte sem fim, ​Caminham juntos, na terra do Divino fim. ​A educação ambiental, é semente a germinar, ​No solo da consciência, para a vida preservar.  Ética e cidadania, pilares a se erguer, Com a força da história, um novo mundo a escrever. ​Corpos em movimento, saúde a florescer, ​No suor da jornada, o saber renascer. ​Babaçulândia pulsa, em cada coração,  Comunidade unida, em eterna canção. Essa é a cara dos jovens de Babaçulandia, em sintonia com a terra, estão prontos para vencer.  Vídeo de produção dos estudantes.

Vozes da Serra

Narradora: No alto da serra, as quebradeiras trabalham. O som dos cocos ecoa como batida de tambor antigo. Seu Zé vem assobiando, no ombro trazendo sua enxada. Zé: Mais um dia de trabalho, minhas companheiras… a terra guarda muitas marcas. Narradora: E as marcas não são apenas da enxada na terra. São cicatrizes profundas, guardadas na memória da serra. Joana: Marcas que jamais serão apagadas, Zé. Vai muito além dessa mata, Zé. Narradora: A mata guarda vozes, e quem escuta sente o peso da fuga e da resistência. Yara: Foram anos e anos fugindo dentro do meu próprio território… fugindo como uma presa diante da caça. Narradora: Cada passo na mata lembrava correntes, cada sombra escondia uma dor. Rosa: Nesta terra que tudo colhemos, o coco quebramos. Mas na antiguidade, foi regada com sangue do nosso povo, arrancada pelos colonos. Narradora: O chão que hoje dá sustento já foi regado com lágrimas e sangue. Guaracy: Carregamos um legado que por anos foi banhado pelo sangue dos que hoje são sa...

O Povoado Cebola

Dizem que, antes de se tornar fértil, aquela terra era um deserto de pó e pedra, onde nem o capim se atrevia a nascer. O vento rodopiava com um assovio estranho, como se trouxesse lembranças de tempos antigos. Quem passava por lá sentia calafrios, como se fosse observado de dentro da própria terra. Foi nesse lugar que se instalou Seu Ambrósio, homem simples, de mãos calejadas e coração aberto. Não tinha família, mas carregava no peito a bondade de cuidar de todos. Sonhava em ver o povoado que não existia: queria plantar para os pobres, alimentar os viajantes, dividir o que a terra pudesse dar. Tinha fé na cebola, que ele chamava de “raiz do choro e da cura”, por acreditar que nela a vida se escondia em camadas, assim como a alma da gente. Mas sua esperança despertava rancor em um homem poderoso: o fazendeiro das terras vizinhas, senhor de gado e de jagunços. Para ele, a terra devia servir apenas ao lucro e à servidão. Não tolerava a ideia de um homem humilde ensinar o povo a colher o q...

O Saco de Estopa e o Pote de Ouro

 Era uma tarde abafada no pequeno povoado de Pedra Branca, aninhado nas margens do Ribeirão de Pedra, um córrego sinuoso que cortava a região como uma serpente preguiçosa. O céu estava nublado, e o ar pesado, carregado de um silêncio incomum. As casas de barro alinhadas na rua principal pareciam exalar um cheiro de madeira queimada, como se algum fogo distante estivesse sempre queimando no horizonte. No entanto, o único som que quebrava a quietude era o murmúrio constante das águas correndo pelo córrego, que passava logo à frente. Mateus, um homem simples de cerca de trinta anos, caminhava em direção à fazenda onde trabalhava como capataz. O sol já começava a se esconder, e ele precisava chegar antes que a noite o pegasse na estrada deserta. Ele estava cansado, mas sabia que o trabalho o aguardava. Porém, quando se aproximou da margem do Ribeirão de Pedra, algo chamou sua atenção. Uma mulher estava lá, encurvada, carregando um saco pesado de estopa, que parecia estar prestes a ra...

O homem da estrada do Ribeirão de Pedra

A estrada cortava a serra como uma língua de fogo, serpenteando por entre as árvores densas que pareciam engolir a luz do sol. A vegetação era espessa e um nevoeiro fino se estendia sobre o chão, criando um ambiente de mistério e inquietação. Era por ali que Ana, uma mulher de olhar melancólico e coração em frangalhos, dirigia seu carro antigo. Ela havia decidido fazer aquela viagem sem rumo certo, tentando afastar-se da cidade, das lembranças e do vazio deixado por um relacionamento que parecia irremediavelmente quebrado. Aquelas curvas perigosas e a solidão das montanhas eram tudo o que ela precisava para pensar, sem ser interrompida por palavras amargas ou lembranças dolorosas. A noite começava a cair quando, na curva mais fechada da estrada, ela viu uma figura à beira da pista. Era um homem alto, de aparência enigmática, vestido com uma capa escura que flutuava ao vento, como se fosse parte da neblina que envolvia a serra. Ele acenou com a mão, pedindo carona. Ana hesitou por um i...